quarta-feira, julho 28, 2010


Foi como um calor que surgiu
Uma daquelas tempestades sem aviso
Como uma chuva de verão
Onde dançamos debaixo dela
E rimos só porque sim

Foi um formigueiro debaixo da pele
Como um milhão de borboletas no estômago
Que nos faz sentir vivos
E nos faz desejar mais e mais
Apenas só mais um pouco

Foi como saber que com o tempo
Tudo se consegue
Como se a espera não tivesse sido difícil
Porque vale a pena
Apenas porque vale a pena


*Ari

segunda-feira, julho 12, 2010

Hoje o cansaço tomou conta de mim.
O cansaço dos sonhos, dos gritos, dos choros.

Cansaço de já não ter nada porque sorrir, lutar ou viver.
Cansaço de perceber que estou sozinha.

O cansaço de correr noite após noite atrás de sonhos impossíveis.
De ter saudades da minha melhor amiga.
De ter saudades de ser amada.

Cansada.
Apenas.. Cansada.


*Ari

domingo, junho 13, 2010


Uma voz
Longe
Perto
Dentro da minha cabeça

Gritando o meu nome
Sussurrando-o
Gemendo

Sempre o meu nome

Como um tambor dentro de mim
Como a chuva que cai
Como o vento que sopra

Sempre o meu nome

Incessante
Persistente
Angustiante

O meu nome

No silêncio da noite
Na música das ondas
Na canção dos pássaros

O meu nome
Sempre o meu nome

Perdido em histórias que já ninguém sabe
Esquecido por todos
Lembrado por ninguém

O meu nome

Apenas o meu nome...


text by me
***Ari

terça-feira, maio 25, 2010


"O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. "

by Miguel Esteves Cardoso

sábado, maio 22, 2010


É em noites como estas que eu queria ir...
Só por ir...
Ir porque me apetece e porque sou livre de o fazer...
Só ir...
Talvez não voltar...

É em noites como estas que me sinto presa aqui...
Presa nesta vida que se tornou entediante...
Amarrada às convenções...

É em noites como estas que queria voar...
Voar para longe...
Voar e nunca parar...
Dar a volta ao mundo sem nunca parar...

É em noites como estas que eu queria ir...
Ir...
Só para poder fugir...


text and pic by me ***Ari

segunda-feira, abril 19, 2010


Sabes quando já não esperas nada da vida?
Quando achas que já tiveste tudo o que tinhas direito, só que foste tão estúpida que desperdiças-te o que tinhas?
Quando ficas sozinha no mundo e tens que reaprender tudo?
Depois de passares por uma provação assim, já nada te toca. Já não acreditas em nada.
Sabes a sensação?
Quando gritas e gritas e todos a tua volta nem reparam?
Quando choras e choras e ninguém enxuga as tuas lágrimas?
Quando pensas em morrer e nenhum voz te diz, preciso de ti?

Quando não tens nada, ninguém, nenhuma voz..

O mundo torna-se vazio, sem importância..

Sabes?

Eu sei.
Sei o que é estar sozinha, perdida, amargurada.
Caída em depressão sem nenhuma mão amiga onde antes existiam tantas.
Gritando e chorando todos os dias sem nenhum ombro amigo.
Querendo morrer mas sendo demasiado cobarde para o admitir.

Eu sei.

Já não tinha esperanças.
Julguei que a vida já me tinha dado a minha parte e eu a desperdicei cedo de mais..
Ainda julgo isso, ainda me sinto assim..

Mas no meio de toda a minha tristeza e solidão... Surgiu uma Luz..
Muito ténue, quase imperceptível, mas ela está lá.. Cada dia mais forte, mais luminosa..
Um conforto nas minhas horas tão negras..

text and pic by me and my sis
***Ari

quarta-feira, março 24, 2010




Foi como renascer.
O formigueiro na pontas dos dedos, sedentos de toque outra vez.
A mente a mil tentando organizar todas a ideias numa só.
Foi como se apenas tivesse adormecido, depois de um longo dia sem fim.
Todos os sentidos a cem, ouvindo tudo, vendo tudo, cheirando tudo, tocando tudo, saboreando tudo.

Foi como sair de um torpor.
Foi aprender de novo, a respirar, a andar, a pensar.
Foi de tal maneira intenso que me assustou, como quando vivemos muito tempo num escuro e voltamos a ver a luz.
Ficamos cegos e desnorteados, mas depois revemos todas as belezas que à muito havíamos esquecido.
E mesmo sentindo-me completamente exposta, nua para o mundo que há muito não via, consegui resistir ao impulso de retornar à minha clausura.

Foi como renascer.
Foi como saber que as memórias e os sentimentos pertencem finalmente ao passado distante.
Não há mais fantasmas, mais dor, mais lágrimas.
Apenas Eu. Renascida.



text and pic by me
***Ari