quinta-feira, agosto 12, 2010

Odeio o silêncio
Odeio a indiferença
Odeio esta sensação
De que estou a bater contra uma parede

Odeio não poder fazer nada
Odeio a sensação de impotência
Odeio esta sensação de vazio
Que não devia cá estar

Odeio odiar esta situação.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Primeiro foi o grito
Ecoou no silêncio da minha mente
Cortando-a em duas
"Está morto"
Ressoando em cada canto da minha alma.

Depois os passos apressados
O som da corrida
O som da respiração ofegante.
"Morto"
Ecoando dentro do meu coração.

A seguir o som do choro
Um sufoco
A respiração cortada
Os soluços
"Morto! Morto!"
A angústia
A negação
A rejeição

E depois o baque da realidade...

"Ele morreu..."

E choro dela ecoa em mim
Dilacerando-me a alma

"Morto..."

A tristeza dela aumenta a minha

E depois o silêncio dela
A aceitação...

"Morto."




Se houver um paraíso para ti, espero que estejas lá.

R.I.P. Rex
2002/2010

sexta-feira, julho 30, 2010


Eu podia ir à Lua e não voltar
Podia perder-me nas ondas do mais alto mar
Podia deixar de respirar
Podia até tentar voar

Em dias como hoje de nada servia
Porque em dias como hoje nada me impedia

Aqueles dias em que acordamos com o pé errado
E pensamos que o nosso fardo é demasiado pesado
Nada nos demove de desistir
É deixar o dia passar e tentar no dia a seguir


*Ari

quarta-feira, julho 28, 2010


Foi como um calor que surgiu
Uma daquelas tempestades sem aviso
Como uma chuva de verão
Onde dançamos debaixo dela
E rimos só porque sim

Foi um formigueiro debaixo da pele
Como um milhão de borboletas no estômago
Que nos faz sentir vivos
E nos faz desejar mais e mais
Apenas só mais um pouco

Foi como saber que com o tempo
Tudo se consegue
Como se a espera não tivesse sido difícil
Porque vale a pena
Apenas porque vale a pena


*Ari

segunda-feira, julho 12, 2010

Hoje o cansaço tomou conta de mim.
O cansaço dos sonhos, dos gritos, dos choros.

Cansaço de já não ter nada porque sorrir, lutar ou viver.
Cansaço de perceber que estou sozinha.

O cansaço de correr noite após noite atrás de sonhos impossíveis.
De ter saudades da minha melhor amiga.
De ter saudades de ser amada.

Cansada.
Apenas.. Cansada.


*Ari

domingo, junho 13, 2010


Uma voz
Longe
Perto
Dentro da minha cabeça

Gritando o meu nome
Sussurrando-o
Gemendo

Sempre o meu nome

Como um tambor dentro de mim
Como a chuva que cai
Como o vento que sopra

Sempre o meu nome

Incessante
Persistente
Angustiante

O meu nome

No silêncio da noite
Na música das ondas
Na canção dos pássaros

O meu nome
Sempre o meu nome

Perdido em histórias que já ninguém sabe
Esquecido por todos
Lembrado por ninguém

O meu nome

Apenas o meu nome...


text by me
***Ari

terça-feira, maio 25, 2010


"O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. "

by Miguel Esteves Cardoso