sábado, setembro 25, 2010

«O que eu quero mesmo é que sejas feliz. Não sei se sabes, talvez não tenhas tido tempo para perceber que para mim sempre foi e será isso o mais importante, mesmo que a vida te leve para outros caminhos e que sem sequer voltes a cruzar-te comigo.»


Margarida Rebelo Pinto

quarta-feira, setembro 22, 2010


Era uma vez uma menina que vivia numa rosa. Era uma menina pequenina, de tez pálida, faces rosadas e pés delicados. Todos a adoravam, talvez pela sua generosidade, talvez pelo seu sorriso fácil, a verdade é que era dificil as pessoas não se sentirem bem quando ela estava presente.
A pequena menina era feliz. Tinha duas amigas pequeninas como ela, e quando se encontravam as três o sol brilhava mais, as flores cheiravam ainda melhor, os campos ficavam ainda mais verdes e vento tornava-se uma brisa tão suave que apetecia sentir. Sim, ela era feliz. Mas não se sentia completa, por mais tempo que passasse com as suas amigas, quando voltava para a sua rosa, a solidão instalava-se e ela chorava, porque não sabia de onde vinha aquela sensação de vazio.

Um belo dia de Verão, quando o sol ia bem alto e o calor era sufocante, a pequena menina decidiu ir passear até ao rio. Estava ela, contente a refrescar os seus delicados pés, quando viu na outra margem, um menino, pequeno como ela. Ela nunca tinha visto ser tão belo em toda a sua vida, mas na verdade nunca tinha visto um ser como ele. Os seus cabelos ondulavam ao vento, e ele de olhos fechados, sorria.
Não soube ao certo quanto tempo passou a olhar para ele, talvez um minuto, talvez uma hora, mas quando ele abriu os olhos e a viu, ela corou, levantou-se de um pulo e fugiu.

Antes de adormecer, foi o rosto dele a última coisa que lhe passou pela cabeça.
E assim passaram a ser os seus dias, indo ao rio esperando vê-lo, mas ele nunca mais apareceu.

Mas a pequena menina nunca mais chorou nas longas noites que passava sozinha na sua rosa, porque agora ela tinha aquele estranho ser para a acompanhar nas suas noites, nos seus pequenos sonhos, no seu pequeno mundo, dentro da sua bela Rosa.


text by me
montagem by Rui Costa *

domingo, setembro 19, 2010

"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."



Fernando Pessoa

sexta-feira, setembro 17, 2010


Lembro-me daquele dia como se fosse hoje.
Lembro-me da leveza do corpo, das sensações à flor da pele.
De todas as sensações, de todos os sentimentos.

Lembro-me de todo aquele calor, um fogo ardente que me marcou o coração.
Ah, ainda hoje sinto o fogo cá dentro do peito.
Em dias sombrios e gelados, é este calor que me faz sorrir e suportar tudo.

Lembro-me de todas as cores e cheiros.
Lembro-me do brilho da Lua e de todas as estrelas que me sorriam.

Como me lembro de tudo, tão perfeitamente, como se o estivesse a viver neste momento.
O dia em que a minha alma Renasceu.

*Ari

segunda-feira, setembro 13, 2010

Se eu morresse amanhã...
Ficarias arrependido por nunca me ter beijado ou aliviado por assim não sentires saudade do meu beijo?

E se eu morresse amanhã...
Ficarias arrependido de nunca me ter tocado ou aliviado por assim não sentires a falta do meu toque?

Então e se eu morresse amanhã...
Ficarias arrependido de eu ter deixado de ser uma fantasia ou agradecerias eu ter-me tornado uma realidade?

Se eu morresse amanhã...

quarta-feira, setembro 08, 2010

Começa como uma dorzinha, incómoda, desconfortável mas tolerável.
Com o tempo, tem tendência a aumentar, cada vez mais.
Torna-se uma dor maior e mais dificil de ignorar.
E quando se torna insuportável e já não conseguimos deixá-la de lado, invade-nos.
E preenche cada espaço do nosso corpo e da nossa mente.
Preenche de tal maneira que achamos que vamos explodir, que não vamos aguentar.

Porque é uma dor que nos consome totalmente.

Uma dor chamada... Saudade.

*Ari

segunda-feira, setembro 06, 2010


É quando reina o silêncio
E o mundo descansa
Que me deixo ir nas asas do vento

Quando ninguém está por perto
E não preciso de usar máscara
Que deixo todas as emoções fluirem

Quando todos dormem
Felizes e serenos
Que eu choro para limpar a alma

Quando sinto a verdadeira solidão
Quando só ouço o bater do meu coração
É que me deixo levar
Para longe
Sem me preocupar se vou voltar.

*Ari